quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Resenha: os usos das calçadas

Os textos de Jane Jacobs refletem sobre os usos das calçadas referentes aos itens de segurança, contato e integração das crianças em especial frente ao planejamento urbano e urbanização de cidades dos EUA. Nestes tópicos Jane observa os problemas existentes e algumas possíveis soluções que os urbanistas podem contribuir para minimizar ou evitar os problemas abordados ocorridos nas grandes cidades. A autora aborda o assunto de modo bem prático com exemplos do cotidiano através de pesquisas já realizadas e da sua observação sobre o funcionamento das ruas  e calçadas das cidades que se tornam seu laboratório.
Em relação à segurança Jacobs relaciona o uso seguro da calçada com a sensação de uma cidade segura, para isso é importante que as calçadas sejam vivas, ou seja, frequentadas por seus moradores e que sejam observadas e interferidas por elas. Para atrair as pessoas para as calçadas é preciso que tenha atrativos como por exemplo um comércio local bem variado entre bares, restaurantes, padarias entre outros.
No item relacionado ao contato a autora enfatiza da necessidade de um certo grau de contato entre os vizinhos, mas de forma que não interfira na vida privada, já que, pode gerar a falta de privacidade e até o desejo de afastamento do local. É necessário então haver um equilíbrio entre a “determinação das pessoas de ter um mínimo de privacidade e seu desejo concomitante de poder variar os graus de contato, prazer e auxílio mantidos com as pessoas que as rodeiam.”
No texto sobre a integração das crianças quanto ao uso das calçadas houve primeiramente uma desmistificação quanto ao uso dos playgrounds em espaços públicos, que são vistos de forma improdutiva. Uma vez que, nas cidades pesquisadas pela autora, não são utilizados pelas crianças, já que são localizados distantes dos olhos dos adultos, tornado um lugar inseguro com a presença de ladrões, usuários de drogas.
Para os urbanistas é necessário então repensar na forma como se planeja a vida residencial, proporcionando satisfazendo as necessidades de interação entre as pessoas para que possam se sentir seguras, obtendo uma integração de qualidade com seus vizinhos e manter uma qualidade de vida melhor para suas crianças. Para isso, é necessário de rever como as calçadas estão sendo vistas atualmente, sua importância neste contexto que vai além da função de passar pessoas. A questão é complexa e fundamental para que o planejamento urbano seja realizado de modo eficiente e satisfatório.
É importante também ressaltar da necessidade para este planejamento “ideal” haver diálogo entre os planejadores e os futuros moradores, sabendo dos aspectos essenciais e até psicológicos dos moradores para se obter bom êxito. Reflito ainda que a realidade de cada país, estado e região é diferente e precisa também de estudos preliminares antes de ser realizada qualquer intervenção. As considerações feitas pela autora podem ser utilizadas como premissas iniciais para estudos de casos que possam ter alguma semelhança entre si.

Referencia:
JACOBS, Jane. Morte e vida de grandes cidades. São Paulo: Martins Fontes, 2000.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Visita ao Museu das Minas e do Metal – Circuito Cultural Praça da Liberdade

Desde quando foi anunciada em junho deste ano pela imprensa com grande ostentação a inauguração do Museu das Minas e do Metal - MMM tive muita curiosidade de visitar e então no dia 16 de outubro surgiu a oportunidade.
O edifício, de 1897, de cor rosa que abriga o museu foi ampliado pelos arquitetos Paulo Mendes da Rocha e Pedro Mendes da Rocha.
O acervo é composto basicamente por vídeos interativos com informações sobre a mineração e a metalurgia, o uso dos minérios tanto pela indústria quanto pelos indivíduos, sua história e importância para o desenvolvimento da humanidade. Possui também amostra de vários minérios existentes no Brasil.
As salas de exposições são bem amplas e para proporcionar uma boa visualização dos vídeos o ambiente das salas tem pouca ou nenhuma iluminação artificial, sendo que, as entradas de luz natural procuram ser vedadas.
 Patrocinado pelo grupo EBX o museu busca enfatizar a necessidade que a humanidade tem de consumir os produtos produzidos pela extração dos minérios minimizando os impactos ambientais causados pelo processo de extração e utiliza de um espaço público tombado pelo IEPHA (Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais) através das parcerias público privadas.
Ao mesmo tempo que é um espaço público há algumas restrições de uso do espaço como o acesso pelas escadas antigas do prédio, uso de salto alto e toque nas paredes devido a vulnerabilidade dos pisos, paredes e instalações do museu.  O acesso aos andares superiores então é feito por escadas ou elevador panorâmicos construídos recentemente.    
Para estudantes de química do ensino médio, por exemplo, é muito interessante o conhecimento interativo que o museu proporciona principalmente quanto ao uso da tabela periódica eletrônica que combina os elementos químicos formando as cadeias químicas. Fiquei pensando como seria divertido aprender química deste jeito.



Fachada do MMM


 Lunetas espalhadas pelo chão, minérios e outras riquezas que compõem o nosso solo são vistos como estrelas. Fonte: http://www.mmm.org.br/index.php?p=4


 Livro das leis - Princípios que regulam a atividade da mineração no país



 


quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Diálogos musicais– Chopin e o Romantismo Brasileiro Miguel Rosselini, piano

Diálogos musicais é um evento mensal e com entrada gratuita realizado no museu de Arte da Pampulha entre os meses de agosto e dezembro de 2010. No dia 17 de outubro houve a apresentação do pianista mineiro Miguel Rosseli que é professor na Escola de Música da UFMG desde 1985. Dentre a programação estavam quatro composições de Frédéric Chopin e composições no estilo romântico brasileiro.
Segundo a pianista Celina Szrvinsk, diretora artística do projeto, a intenção desta série de espetáculos eruditos é associar a um dos principais cartões-postais da cidade uma programação regular e gratuita de música clássica de excelência artística.
Houve duas sessões devido ao esgotamento dos ingressos na primeira apresentação e uma constante procura após seu início. O que foi muito bom, caso contrário não poderia ter assistido, já que os ingressos acabaram uma hora antes de iniciar a primeira apresentação.
Observei que o local é muito importante para a apreciação de evento como este e que o local escolhido foi assertivo. No entanto apesar de ser um local pouco movimentado, durante a apresentação pude perceber interferências de ruído externo, até mesmo conversas das pessoas que estavam próximas da sala puderam ser escutadas.
O instrumento musical utilizado para a apresentação, o piano, é um dos que mais aprecio desde criança. Em relação ao programa apresentado apesar de ser erudito foi de grande qualidade e utilizou algumas músicas conhecidas, além de serem bem tranquilizadoras. Na correria do dia a dia é importante termos momentos de relaxamento e reflexão proporcionados pela tranqüilidade que este tipo de música oferece, acho que até para o momento de criação de trabalhos é significante o estado que deste tipo de música oferece.


Vista do local da apresentação


Vista lateral do Museu de Arte da Pampulha


Músico Miguel Rosselini na apresentação do dia 17/10/2010 no MAP


quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Poema - Um abrigo da chuva

Na correria do dia a dia uma pausa obrigatória
A chuva nos obriga a correr para um abrigo
Quão não é a surpresa ao avistar uma tenda provisória

Lá dentro me remeto ao passado
A chuva aparece colorida por todos os lados
Como no tempo de criança bem sossegado

O som da chuva se incorpora ao silêncio em perfeita harmonia
Que aparece no meio o dia roubando nossa atenção nesta vida
Maravilhosa orquestra divina

A alegria me invade trazendo a felicidade
Neste instante tão puro a tristeza não me invade
Mal posso esperar para contar a novidade


sexta-feira, 8 de outubro de 2010

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Referências Pavilhão

Segue algumas referências para o trabalho sobre pavilhão anti positivista proposta na Oficina de Fundamentação e Instrumentação.

Bienal de Arquitetura de Veneza 2008


Na Bienal de Arquitetura de Veneza de 2008 houve a exposição de Singletown que reuniu objetos da extensão de hábitos e preferências pessoais: o armário em que mangueiras plásticas fazem as vezes de prateleiras, a fim de possibilitar certa desordem de roupas e acessórios; a divisória que armazena objetos utilitários compartilháveis entre residências contíguas; a poltrona retrátil que se projeta pela janela a fim de alcançar o ar fresco e o banho de sol; ou o assento climatizado, que prescinde do aquecimento de todo o ambiente.
Acredito que esta exposição tem muito a contribuir para as reflexões feitas em sala sobre a Vila Arpel, já é o oposto desta exposição.







Projeto Oi Nave

Esta exposição do designer Jair de Souza tem a proposta que lida com a questão da qualidade na ocupação arquitetônica, expositiva ou didática, permanente ou temporária.
O designer destaca a pertinência da relação entre o programa - capacitação profissional em tecnologias digitais - e o local de implantação, uma área carente na cidade.
Souza explica ter estruturado o projeto em dois setores: a fachada e os espaços internos. Na primeira, empregou tela microperfurada e impressa com desenho abstrato. Ela funciona como superfície semitransparente durante o dia e anteparo para projeções luminosas à noite.
Nos espaços internos, além da comunicação funcional, Souza aplicou desenhos e tipografias cenográficas em paredes de grandes dimensões, de modo a enfatizar o universo visual e tecnológico do programa didático.





Cavidade tubular - b (h) uis, pavilhão tubos

Pequeno pavilhão construído com tubos de PVC que instiga a um desenho de um objeto especial em que este material não é mais visto como um tubo, mas como uma pedra de construção oco.
O material é pesquisado por suas características espaciais e escapa à sua candidatura. A transparência na direção e ao longo da parede fixa no sentido transversal determinar a espacialidade.
Por paralelo empilhamento dos tubos como as pedras de construção de uma massa foi criado o que representa em si fechado de quatro lados, mas que seja transparente, visto a partir dos lados da cabeça.
Uma proposta bem diferente que demonstra outras possibilidades de montar tubos de PVC e acredito que possa contribuir com idéias para o pavilhão.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Visita a Inhotim

No sábado dia 2 de outubro fui visitar o Instituto Inhotim localizado em Brumadinho, cidade vizinha a minha que é Betim, pela segunda vez. Na primeira vez em que visitei o Instituto em 2008 a sensação de tive quando cheguei foi a de estar em outro país, nunca tinha visto jardins tão belos e diferentes, com uma variedade e com espécies tão exóticas. A sensação de ar fresco e ambiente tranqüilo foi muito bom, no entanto, pude observar na visita a uma das galerias o contraste com o barulho da intensa atividade mineraria que existe ao lado do museu.
Na primeira visita ao Inhotim estava com minha irmã professora que adorou a idéia quando a chamei para visitar o museu. De volta ao Instituto neste ano a sensação que tive ao chegar foi de muitas lembranças desta minha irmã que não está mais no meio de nós. Principalmente nas galerias em que estivemos juntas e que ainda estavam do mesmo jeito.
Não vou comentar sobre todas as galerias em que visitei, mas apenas de algumas que mais me chamou a atenção, já que, de 2008 até o momento percebi que houve uma grande expansão do museu.  Na galeria Praça o espaço destinado a obra de Janet Cariff é bem aconchegante, de cor branca, os bancos largos são um convite para sentar e apreciar o excelente coral da Catedral de Salisburo cujo som vem das várias caixas dispostas no entorno da sala.
Na galeria de Doug Aitken  a natureza parece estar integrada a obra tanto no aspecto visual da vista externo quanto do lado interno com o uso do vidro e seu jogo e ofuscar a imagem com películas de plástico. O poço de 202 m que reproduz o som do interior da terra provoca uma sensação e medo e curiosidade para saber o que está provocando o som no momento, já que ele varia constantemente. Só fiquei intrigada com uma coisa: como deve ser o ruído provocado pela mineradora que, funciona do lado do museu, quando está em atividade e utilizando seus explosivos. É um contraste com a tranqüilidade do local.
Na galeria Adriana Varejão os elementos do positivismo está presente na arquitetura do prédio com o uso do vidro, espelhos d’água e a cor branca. No entanto no interior com as obras verifica-se um contraste com o belo e linhas retas principalmente nas obra “Linda do Rosário” e “Celacanto Provoca Maremoto”. No térreo os pássaros pintados a mão sobre o azulejo branco são muito belos, mas ficam tão claros com os raios de sol que fica difícil observar a obra. Ainda nesta galeria é muito interessante como a obra O colecionador trabalha com a perspectiva, deu vontade até de sentar e ficar desenhando...

Segue algumas fotos referentes aos comentários.

Janet Cardiff, Forty Part Motet, 2001, instalação sonora em 40 canais, com duração de 14’7’’, cantada pelo coro da catedral de Salisbury, dimensões variáveis, foto: Pedro Motta

OUG AITKEN SONIC PAVILION 2009 - Foto: Pedro Motta

Detalhe da obra Celacanto Provoca Maremoto - Adriana Varejão


Adriana Varejão, Celacanto Provoca Maremoto, 2004 - 2008, óleo e gesso sobre tela, 110 X 110 cm cada, 184 peças, foto: Vicente de Mello


 Adriana Varejão, Linda do Rosário, 2004, Óleo sobre alumínio e poliuretano, 195 X 800 X 25 cm, foto: Eduardo Eckenfels


Adriana Varejão - O Colecionador, óleo sobre tela, 320 x 750 cm, 2008. Foto: Vicente de Mello